sábado, 15 de janeiro de 2011

tempo para a poesia


perdemos a poética no dia-a-dia. corre-corre. sem tempo para a leitura necessária.
somos atropelados por ônibus. em cada banco uma tarefa.
é necessário um tempo para os ouvidos. dar-se o direito de repetir até a palavra entranhar-se n'alma.
o signo da poesia é tartaruga. o do trabalho, guepardo.
para a poesia é necessário o mergulho.
ela precisa. só aceita entrega.
na superficialidade não se mostra.
não quer plateia. apenas um solitário ouvido atentodesligado.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Nós e os outros


existe uma vontade muito grande de desqualificar as coisas dos outros. mas por que?
se alguém gosta de jogar videogame, o outro diz: mas tu aprendes alguma coisa com isso? não? então isso é besteira... - mas porque não respeitar o direito de cada um fazer o que quer nas suas horas de folga? fazer o que quer da sua vida em geral?
por que essa necessidade de afirmação a partir da desqualificação das coisas que o outro faz? eu faço o que quero e tu faz o que quer e estamos combinados. é isso.
só porque um faz uma coisa diferente não quer dizer que a do outro não presta. cada coisa presta pra cada pessoa. cada coisa é boa ou ruim dependendo do ponto de vista e de quem a pratica. por isso, nada é simplesmente bom ou ruim.
isso se aplica muito bem a pais e filhos. pais dizem: videogame é ruim. filhos dizem: marcenaria é ruim. e os dois  estão implicando um com o outro a toa. as duas coisas são boas. cada uma para quem a faz. só isso.