sábado, 15 de janeiro de 2011

tempo para a poesia


perdemos a poética no dia-a-dia. corre-corre. sem tempo para a leitura necessária.
somos atropelados por ônibus. em cada banco uma tarefa.
é necessário um tempo para os ouvidos. dar-se o direito de repetir até a palavra entranhar-se n'alma.
o signo da poesia é tartaruga. o do trabalho, guepardo.
para a poesia é necessário o mergulho.
ela precisa. só aceita entrega.
na superficialidade não se mostra.
não quer plateia. apenas um solitário ouvido atentodesligado.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Nós e os outros


existe uma vontade muito grande de desqualificar as coisas dos outros. mas por que?
se alguém gosta de jogar videogame, o outro diz: mas tu aprendes alguma coisa com isso? não? então isso é besteira... - mas porque não respeitar o direito de cada um fazer o que quer nas suas horas de folga? fazer o que quer da sua vida em geral?
por que essa necessidade de afirmação a partir da desqualificação das coisas que o outro faz? eu faço o que quero e tu faz o que quer e estamos combinados. é isso.
só porque um faz uma coisa diferente não quer dizer que a do outro não presta. cada coisa presta pra cada pessoa. cada coisa é boa ou ruim dependendo do ponto de vista e de quem a pratica. por isso, nada é simplesmente bom ou ruim.
isso se aplica muito bem a pais e filhos. pais dizem: videogame é ruim. filhos dizem: marcenaria é ruim. e os dois  estão implicando um com o outro a toa. as duas coisas são boas. cada uma para quem a faz. só isso.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Pesquisas


Já repararam como algumas pesquisas são antiquadas? Um forte indício disso é quando alguma pergunta faz menção a "chefe de família". Puxa. Isso é tão ultrapassado. Diria até que sexista, por representar deforma muito marcante uma época da história "familiar" brasileira.
Fico imaginando a mentalidade das pessoas que elaboram um formulário desses... Pior de tudo é que esse assunto me veio a mente ao responder uma pesquisa na internet... E a gente pensando que a internet só tem "modernidades".

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

felicidade por uns trocados



Estava pensando em como era fácil me agradar quando eu era criança. Minha mãe voltava do centro com uma ou duas bolinhas de gude um pouco diferentes e era aquela festa. Coisa pequena e barata.
Ou então era um bala ou chicle ou sorvete seco ou pipoquinha que vinha com um brinquedo (soldadinho, bexiguinha ou mesmo bolinhas de gude). e isso também era uma festa. Dupla por sinal. Um doce e um brinquedo. Mas que puxa, como diria Charlie Brown.
Talvez eu não saiba do que as crianças de hoje em dia gostem, mas não me parece que haja esse tipo de agrado barato. Tudo parece ser tão mais caro.
Talvez na periferia ainda exista essa felicidade por uns trocados. Será?